MOTIVAÇÃO PARA COMPORTAMENTOS DE RISCO:
PROCURA POR SENSAÇÕES, DOPAMINA E GENE D4
MOTIVATION FOR RISKBEHAVIORS:
SENSATIONS’ SEEKING, DOPAMINE AND D4 GENE
Ionara Regi Alves Fonteles
1
, Eduardo Mendes Medeiros
2
, Carlos Renato Alves Nogueira
3
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Resumo
Este estudo investigou a ação da dopamina associada ao gene D4 sobre a motivação para
comportamentos de risco. Trata-se de uma pesquisa bibliográca na qual se utilizou o método
estado da questão. Consultou-se, inicialmente, a plataforma de periódicos CAPES, utilizando a
combinação dos descritores: “Comportamento de risco”, “Procura por sensações”, “Motivação
para o comportamento de risco”, “Dopamina”, “gene D4”, porém, não foi encontrado material
publicado no Brasil em língua portuguesa. Em seguida, utilizando os mesmos descritores em
língua inglesa, buscou-se nas bases de dados eletrônicas: American Psychological Association (APA),
Sagepub, Springer e Elsevier, e o periódico The Journal of Neuroscience (JN), selecionaram-se
artigos e trabalhos acadêmicos em língua estrangeira publicados a partir de 2010. Compreendeu-se
que a ação dopaminérgica no sistema de recompensa cerebral associada à função do gene D4
é um preditor do desenvolvimento de comportamentos exploratórios, necessidade de fortes
sensações siológicas externas e que está diretamente implicado no desenvolvimento da
motivação intrínseca de procura por fortes sensações, levando os indivíduos a desenvolver
comportamentos de risco. Os indivíduos com alelos 7R+ longos estão predispostos a desenvolver
motivação intrínseca ao risco que se manifesta como comportamentos de procura por fortes
sensações.
Palavras-chave:
1
Faculdade Maurício de Nassau, Acaraú, Brasil, E-mail: yonara-fonteles@hotmail.com
ORCID: https://orcid.org/0000-0002-6726-9130
2
Faculdade Maurício de Nassau, Fortaleza,Brasil, E-mail: eduardopsicologia88@gmail.com
ORCID:https://orcid.org/0000-0003- 0453-7430
3
Faculdade Maurício de Nassau, Fortaleza, Brasil, E-mail:carlosrenato.ce@bol.com.br;renato_farmaco@hotmail.com
ORCID:https://orcid.org/0000-0001- 9264-605X
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Abstract
This research investigated the action of dopamine associated to the D4 gene on the motivation
for risk behaviors. This is a state of the art bibliographic study in which the state method of the
question was used. The CAPES journal platform was initially consulted, using the combination
of the descriptors: “Risk behavior”, “Sensation search”, “Motivation for risk behavior”,
“Dopamine”, “D4 gene”, but there was no material found published in Brazil in Portuguese
language. Aerwards, using the same descriptors in English language, it was searched in the
following electronic databases: American Psychological Association (APA), Sagepub, Springer
and Elsevier, and the periodic newspaper The Journal of Neuroscience (JN), articles and academic
papers were selected with foreign language literature published as of 2010. It was understood
that the dopaminergic action at the brain’s reward system associated with the D4 gene function
predicting the development of exploratory behaviors, have the need for strong external
physiological sensations they are directly implicated in the development of intrinsic motivation
to search for strong sensations that leads individuals to develop risky-behaviors. Individuals
with long alleles 7R+ are predisposed to develop risk-intrinsic motivation that manifests as
search behaviors for strong sensations.
Keywords: 
Motivação para Comportamentos de Risco:
Procura por Sensações, Dopamina e Gene D4
Ao observar a história da humanidade, é bastante perceptível o fato de o ser humano estar
sempre a procurar desaos, com o objetivo de superar seus limites e explorar o desconhecido.
Este comportamento recorrente e peculiar do ser humano foi responsável, ao longo dos
séculos, por levá-lo a enfrentar riscos, não apenas com o propósito evolutivo, mas também
impulsionado por uma motivação intrínseca de ultrapassar os limites de seu corpo e período
temporal (Ashcro, 2001).
Todavia, existem muitos questionamentos relacionados ao fato de o ser humano ser atraído
pelo desconhecido, mesmo pondo em risco sua integridade física ou psíquica (Miller, 2014).
Por exemplo, uma pessoa se apresentar intrinsecamente motivada a escalar o monte Everest,
mesmo observando durante o percurso da escalada uma amostra real dos perigos ali presentes.
Ou seja, 200 corpos de alpinistas mortos que se encontram abandonados no local, alguns deles
à vista dos exploradores (Ashcro, 2001; Horcaio, 2013; Kotler, 2015; Thomson, Hanna, Carlson,
& Rupert, 2013).
As pessoas que procuram sensações apresentam-se com tendência a vivenciar experiências
novas, ameaçadoras, mas bastante emocionantes, visto que algumas destas experiências são
consideradas impossíveis, desaadoras, como a utilização exacerbada de diversas substâncias
psicoativas e/ou psicodélicas que podem causar quadro de intoxicações alcoólicas, alcoolismo
agudo, alcoolismo crônico, tornando a pessoa toxicodependente. Um quadro de alucinações
pode evoluir para um quadro psicótico no caso do consumo de substâncias psicodélicas, coma
alcoólico, alterações irreversíveis no sistema nervoso central ou em todo organismo e pode
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causar a morte do indivíduo (Casey, Jones, & Hare, 2008; Creswell et al., 2012; De Leo & Wulfert,
2013; Dir, Coskunpinar, & Cyders, 2014; Harden, 2014; Khodarahimi, 2015; Lauriola, Panni,
Levin, & Lejuez, 2014; Mann, 2017; Mann, Paul, Tackett, Tucker-Drob, & Harden, 2017; Norbury
& Husain, 2015; Zuckerman, 2014). Na procura de ultrapassar limites nunca alcançados, estes
indivíduos assumem riscos por causa desta motivação intrínseca que os impulsiona a realizar
estas experiências (Ashcro, 2001; Horcaio, 2013; Pawelec, 2013; Stops & Gröpel, 2016; Thomson
et al., 2013; Zilberman-Schapira, Chen, & Gerstein, 2012).
A motivação humana engloba as razões subjacentes ao comportamento, ela é uma ação
dirigida a um determinado objetivo. Estar motivado signica sentir-se impelido a fazer alguma
coisa. O constructo psicológico de motivação a dene como uma força interna que energiza o
comportamento e guia-o. A pessoa motivada é impelida por esta energia para seguir em frente
e atingir um objetivo (Atkinson & Feather, 1966; Atkinson, Atkinson, Smith, Bem, & Nolen-
Hoeksena, 2002; Guay et al., 2010; Hilgard, Atkinson, & Atkinson, 1979; Ryan & Deci, 2000).
O estudo da motivação humana é o estudo dos fatores internos e externos determinantes
da atividade humana (Costa, 2005). O fenômeno psicológico complexo da motivação é composto
por diferentes fatores que constituem este fenômeno que energiza e orienta o comportamento
humano. Os fatores referidos são os causadores de dois tipos básicos de motivação, são estes:
a motivação intrínseca, que é composta por fatores psicobiológicos, psicoquímicos e eventos
siológicos no cérebro e a motivação extrínseca, que é composta por fatores ambientais, como a
cultura e a interação social (Atkinson et al., 2002; Ryan & Deci, 2000).
A motivação para explorar sensações e riscos está diretamente ligada a uma estrutura
neuronal conhecida como sistema de recompensa cerebral (Atkinson et al., 2002; Olds, 1970;
Rossa, 2012). A ação dopaminérgica no sistema de recompensa do cérebro é um motivador
intrínseco do comportamento humano e responsável pelo prazer (gostar) e pela motivação
(querer). O gene D4 é um preditor estável do desenvolvimento da motivação de comportamentos
exploratórios, ligado à necessidade de fortes sensações siológicas externas. E está diretamente
implicado no desenvolvimento da motivação intrínseca de procura por fortes sensações. A ação
dopaminergica associada à função do gene D4 está relacionada com o desenvolvimento de
comportamentos de risco (Atkinson et al., 2002; Casey et al., 2008; Defoe, Dubas, Figner, & van
Aken, 2015; Garcia et al., 2010; Norbury & Husain, 2015; Norbury, Manohar, Rogers, & Husain,
2013; Stops & Gröpel, 2016; Zilberman-Schapira et al., 2012).
O comportamento de risco inclui qualquer comportamento que possa pôr em perigo o
bem-estar de si mesmo ou de outros, seja por risco imediato de lesões físicas, seja por violar as
regras, leis ou normas estabelecidas para evitar consequências negativas. No entanto, o termo
“comportamento de risco” pode incluir quaisquer tipos de comportamentos, considerando a
heterogeneidade da experiência humana (Douglas, 1992; Jessor, 1991; Johnson, Hayes, Brown,
Hoo, & Ethier, 2014).
A procura por sensações
1
é uma tendência para explorar sensações e experiências
novas variadas, complexas e intensas, e uma disposição para correr riscos com a nalidade de
satisfazer tais experiências, não é apenas um potencial para a tomada de riscos, mas envolve
1
Em português brasileiro, este mesmo fenômeno é conhecido no âmbito acadêmico com o termo busca de sensações.
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uma qualidade na exploração de novidades intensas na estimulação sensorial, onde por vezes
torna-se um hábito que leva a pessoa a desenvolver comportamentos de risco (Arnett, 1994;
Douglas, 1992; Zuckerman, 1994).
É, neste contexto, que o presente estudo teve como objetivo primordial investigar a ação
da dopamina associada ao gene D4 sobre a motivação dos comportamentos de risco. Trata-se
de uma pesquisa bibliográca, onde para nos auxiliar a responder à pergunta que norteou esta
investigação, executou-se um levantamento de artigos, livros e trabalhos acadêmicos sobre o
estado da questão (Nobrega-Therrien & Therrien, 2004).
A realização do presente estudo justica-se e é plausível visto que este trata de uma
temática atual e discute sobre um fenômeno que faz parte do quotidiano de uma parcela da
população. Além disso, contribui com o estudo no âmbito da psicobiologia no meio acadêmico
em língua portuguesa.
Método
Utilizou-se o método bibliográco estado da questão, que tem como objetivo delimitar e
assinalar a especicidade do objeto de investigação do interesse do pesquisador, onde, por meio
da realização de um criterioso levantamento bibliográco, clarica e delimita a contribuição
original do estudo no campo cientíco (Nobrega-Therrien & Therrien, 2004; Vosgerau &
Romanowski, 2014).
Procedimentos
Na fase inicial desta investigação, deniu-se a pergunta que norteou a realização deste estudo
que foi: Qual a ação da dopamina associada ao gene D4 sobre a motivação dos comportamentos
de risco? Realizou-se uma pesquisa na Plataforma Cientíca de Periódicos da Coordenação de
Aperfeiçoamento de Pessoal de Nível Superior (CAPES; http://www.periodicos.capes.gov.br),
por ser o maior portal de pesquisas cientícas do Brasil, pertencente ao Ministério da Educação
(MEC), utilizou-se a combinação dos descritores em língua portuguesa: “Comportamento de risco”,
Procura por sensações”, “Motivação para o comportamento de risco”, “Dopamina”, “gene D4”.
Porém, o resultado obtido foi: zero materiais encontrados. Este resultado se deu com a utilização
do critério de exclusão de delimitação temporal de artigos e trabalhos publicados após 2010.
E, mesmo sem o uso deste critério de delimitação de tempo, este resultado se repetiu.
Posteriormente, consultaram-se as seguintes revistas e bases de dados eletrônicas:
American Psychological Association (APA), Sagepub, Springer e Elsevier, e o periódico The Journal
of Neuroscience (JN) onde se utilizou a combinação dos seguintes descritores em língua inglesa:
“risk behavior”, “seeking sensations”, “motivation for risk behavior”, “dopamine”, “D4 gene”. A
utilização desses descritores em língua inglesa justicou-se, pois no decurso desta investigação
percebeu-se a escassez de estudos publicados no Brasil, em língua portuguesa, que discutem este
assunto com profundidade. Ou seja, as pesquisas com conteúdo pertinente sobre esta temática
estão publicadas em língua estrangeira. A referida coleta (recolha) de dados foi realizada entre
o período de agosto de 2016 a junho de 2018.
Utilizaram-se os seguintes critérios de exclusão: estudos que não tratassem diretamente
sobre esta temática; artigos publicados que se repetiam; estudos que não levassem em
consideração a ação da dopamina e do gene D4 sobre a motivação dos comportamentos de risco;
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estudos que não levassem em consideração a ação da dopamina e do gene D4 sobre a procura
por sensações; artigos e trabalhos acadêmicos com data anterior ao ano de 2010.
Utilizaram-se os seguintes critérios de inclusão: estudos que levassem em consideração a
ação da dopamina e do gene D4 sobre o comportamento motivado ao risco; estudos que levassem
em consideração a ação da dopamina e do gene D4 sobre a procura por sensações; pesquisas
empíricas realizadas com seres humanos; pesquisas empíricas realizadas com modelos animais;
estudos que conceituassem motivação dos comportamentos de risco; estudos que versassem
sobre procura por sensações; artigos; trabalhos acadêmicos e livros que tratassem diretamente
deste tema; artigos em língua estrangeira publicados a partir de 2010.
Com a utilização dos critérios supracitados, foram selecionadas 50 publicações, entre
artigos e trabalhos acadêmicos publicados em língua estrangeira, que se tornaram relevantes por
atenderem aos critérios de inclusão e exclusão (ver Tabela 1). Após estes procedimentos, partiu-se
para fase de leitura e análise dos materiais selecionados. Para nos auxiliar na análise dos dados e
mapear o estado da questão, elaborou-se uma tabela onde expomos: título do trabalho, nome dos
autores, ano de publicação das obras analisadas e
metodologia adotada nas pesquisas (Tabela 1).
Resultados e Discussão
Nesta secção, serão discutidos os resultados do presente estudo que foi dividido em três
subsecções. Na primeira conceituamos o sistema de recompensa do cérebro, dopamina e
gene D4. Na segunda expomos os achados sobre os fatores que inuenciam a motivação dos
comportamentos de risco e procura de sensações, a incidência da motivação da procura por
sensações geradoras dos comportamentos de risco em adolescentes e adultos. Na terceira,
procuramos discutir os achados sobre a ação do neurotransmissor dopamina associado ao gene
D4, que é fator preditor da motivação de procura de sensações e comportamentos de risco, onde
alcançamos o entendimento de que o gene D4 está associado de forma independente à procura
por sensações. A manifestação deste fenômeno não se limita à fase da adolescência, podendo se
estender à fase adulta dos indivíduos que possuem longos alelos de sete ou mais repetições (7R+).
Sistema de Recompensa Cerebral, Dopamina e Gene D4
O sistema de recompensa cerebral é constituído por um conjunto interligado de zonas
cerebrais, são elas: o núcleo accumbens, área tegmentar ventral, córtex p-frontal e seu
envolvimento com o sistema límbico que é associado às emoções, amígdala e hipocampo, que são
centros responsáveis pela memória, feixe prosencefálico medial, córtex orbitofrontal e córtex
cingulado ligam-se à substância negra, via nigro estriada. Os neurônios deste sistema localizam-
se no tronco cerebral superior e estendem os seus axônios até o prosencéfalo. Os neurônios
deste sistema utilizam os neurotransmissores. Um deles é a dopamina que tem a função de
transmitir seus impulsos imperativos de recompensa e incentivo causadores de forte inuência
direta sobre a motivação e a emoção, que direcionam o comportamento humano (Atkinson et al.,
2002; Olds, 1970; Reyna, Wilhelms, McCormick, & Weldon, 2015; Rossa, 2012).
A dopamina foi identicada como neurotransmissor cerebral por Arvid Carlsson, em
1957. Carlsson também percebeu que a doença de Parkinson se deve a uma baixa produção de
dopamina pela substância negra e que a administração de dopamina não melhora os sintomas
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da doença. Esta situação deve-se à dopamina não penetrar no sistema nervoso e ser necessário
administrar um precursor da levodopa. A levodopa converte-se em dopamina no sistema
nervoso. Uma dose excessiva de levodopa pode desencadear um surto psicótico (Carlsson,
1993; Yeragani, Tancer, Chokka, & Baker, 2010). Carlsson postulou que a dopamina também está
implicada na esquizofrenia (Carlsson, 1988).
O neurotransmissor dopamina pertence à família de catecolaminas de neurotransmissores.
A estrutura básica das catecolaminas consiste em um catecol (3,4-diidroxibenzeno) conectado
a um grupo amina por uma ponte etil (Standaert & Galanter, 2012). Segundo Nogueira (2008) e
Regala (2013), ela exerce seus efeitos interagindo com neurorreceptores especícos. Existem
duas famílias de receptores dopaminérgicos: os receptores D1-like que incluem os subtipos D1 e
D5, ambos estão ligados a proteínas G (GPCRs) que estimulam a adenilil ciclase. E os receptores
D2-like que incluem os subtipos D2, D3 e D4. Em contraste, os receptores D2, D3 e D4 estão
ligados às proteínas que inibem a adenilil ciclase e que são referidas como afamília D2”. Os
subtipos D1 e D2 são os mais abundantes no sistema nervoso central.
De acordo com Nogueira (2008), o receptor D2 foi dividido em dois subtipos: D2c (
curto) e o
D2L (longo), onde o D2L se diferencia do D2c por possuir 29 aminoácidos a mais em sua estrutura.
Esses dois subtipos parecem ter uma farmacologia similar. Foi vericado um terceiro subtipo de
receptor D2, o receptor D3, encontrado em altos níveis em certas regiões do sistema límbico
cerebral, enquanto, baixos níveis são observados no corpo estriado. O perl do mecanismo de
ação do subtipo D3 é semelhante, porém, não é idêntico ao D2. O receptor D4 ou gene DRD4,
é um gene produtor de proteína, ele é acoplado à proteína G (GPCRs) e ao D2-like, a proteína
humana é codicada por este receptor no cromossomo 11, o neurorreceptor D4 é ativado pelo
neurotransmissor dopamina, e está ligado a motivação. Os mecanismos de ação dos pers D3 e
D4 ainda precisam ser mais investigados (Regala, 2013; Svensson, Carlsson, Hu, Kling-Petersen,
& Waters, 1994; Van Tol et al., 1991; Van Tol et al., 1992; Wang et al., 2017).
O neurotransmissor dopamina associado ao gene D4 atua no circuito neuronal chamado
sistema de recompensa cerebral, e tem um papel muito importante no desenvolvimento da
motivação da exploração de sensações e comportamentos de risco. A manifestação desta
motivação em adolescentes e adultos será discutida na próxima secção. Em seguida, expõem-se
os resultados sobre a ação do neurotransmissor dopamina associado ao gene D4, no fenômeno
da motivação para busca por sensações e comportamentos de risco (Atkinson et al., 2002; Defoe
et al., 2015; Garcia et al., 2010; Lim, Ha, Choi, Kang, & Shin, 2012; Norbury et al., 2013; Norbury
& Husain, 2015; Ptáček, Kuželová, & Stefano, 2011; Stops & Gröpel, 2016; Thomson et al., 2013;
Zilberman-Schapira et al., 2012).
Motivação da Procura por Sensações e Comportamentos de Risco entre Adolescentes
e Adultos
Os estudos em populações de adolescentes do Centers for Disease Control and Prevention
(CDC, 2010), indicam que 71% das mortes que ocorrem entre a faixa etária de 10 a 24 anos deve-
se aos eventos relacionados ao risco. Os tipos de eventos que são considerados nesta análise são
acidentes de veículos automóveis, lesões acidentais, homicídios e suicídios (CDC, 2010; Johnson
et al., 2014).
Os estudos em neurociência cognitiva que utilizam tecnologias de neuroimagem
indicaram possíveis substratos neurobiológicos que podem estar envolvidos em comportamentos
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de risco. Os autores mostraram que uma maior ativação no núcleo accumbens, um dos núcleos
subcorticais que se integram nos núcleos da base que compõe o sistema de recompensa cerebral,
está relacionada à tomada de risco, impulsividade e diculdade em inibição dos impulsos por
exploração de fortes sensações e comportamentos de risco (Basar et al., 2010; Braams, van
Duijvenvoorde, Peper, & Crone, 2015; Dalley & Roiser, 2012; Doremus-Fitzwater, Varlinskaya, &
Spear, 2010; Feja, Hayn, & Koch, 2014; Fox & Tannenbaum, 2011; Harden, Quinn, & Tucker–Drob,
2012; Holmes, Hollinshead, Roman, Smoller, & Buckner, 2016; Levin et al., 2012; Reyna et al.,
2015; Weiland et al., 2013).
Do ponto de vista do desenvolvimento, Smith, Chein e Steinberg (2013) sugeriram que,
no raciocínio lógico dos adolescentes, as habilidades básicas de processamento de informações
e fatores sociais e emocionais orientam os adolescentes a praticarem comportamentos de risco.
Outras pesquisas realizadas com método de análise de neuroimagem e ensaio clínico
demonstraram que os adolescentes manifestam comportamentos de risco que comprometem a
sua saúde física e psíquica, pois foi observado, nos resultados dos estudos, que os adolescentes
possuem o sistema neuronal de controle de impulsos ainda imaturo (Casey et al., 2008; Dmitrieva,
Chen, Greenberger, Ogunseitan, & Ding, 2010; Somerville & Casey, 2010; Sturman &
Moghaddam,
2011; Tau & Peterson, 2010; Wahlstrom, Collins, White, & Luciana, 2010).
Assim, a diminuição dos comportamentos de risco desde a adolescência até à idade adulta
é atribuível à maturação no sistema de controle cognitivo (Somerville & Casey, 2010; Sturman
& Moghaddam, 2011; Tau & Peterson, 2010; Telzer, 2016). Por exemplo, os adolescentes são
mais propensos do que os adultos à condução imprudente de automóveis, conduzir automóveis
enquanto intoxicados, usar diversas substâncias ilícitas, ter relações sexuais sem proteção e se
envolverem em comportamento antissocial. O que está por trás destes comportamentos seria a
motivação intrínseca da idade, a descoberta, a vontade urgente de se explorar a si mesmo e ao
mundo (De Leo & Wulfert, 2013; Dir et al., 2014; Harden, 2014; Khodarahimi, 2015; Lauriola et
al., 2014; Mann, 2017; Mann et al., 2017). As variantes teóricas indicam que os comportamentos
de risco podem originar-se em mecanismos psicobiológicos, sociais, emocionais e cognitivos
durante o desenvolvimento humano.
Verma, Chakrabarty, Velmurugan e Bhat (2017) referem que a construção de procura de
sensações consiste em quatro subtraços conhecidos como procura de emoção e aventura (TAS
Thrill and Adventure Seeking), a procura de experiência (ESExperience Seeking), desinibição
(DisDisinhibition) e suscetibilidade ao tédio (BS Boredom Susceptibility). A procura de emoção
e aventura (TAS) descreve uma predisposição para procurar aventura através de atividades
socializantes, mas arriscadas e excitantes, como desporto de aventura, por exemplo: alpinismo,
saltar de paraquedas, salto de esqui (ski jumping), bungee jumping, volcano surng, esquiar na
neve, freeskiing, wakeboarding, snowboarding, highline, traje planador (wingsuit), base jump, voo
livre realizado com parapente, prática das modalidades freeride e ski-touring (Ashcro, 2001;
Guszkowska & Bołdak, 2010; Horcaio, 2013; Kotler, 2015; Pawelec, 2013; Stops & Gröpel, 2016;
Thomson et al., 2013). A procura de experiência (ES) envolve a procura de sensações através da
mente, dos sentidos e de um estilo de vida atípico (Verma et al., 2017).
Ainda no âmbito do desporto radical, estudos consideram a ação de uma predisposição
genética do indivíduo que desenvolve motivação intrínseca de procura por sensações que
subjazem o comportamento motivado ao risco (Thomson et al., 2013; Zilberman-Schapira et
al., 2012), pois esta predisposição inuencia a personalidade dos atletas do desporto de alto
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risco, diferenciando-os dos atletas que praticam desporto com ns recreativos (Klinar, Burnik,
& Kajtna, 2017; Stops & Gröpel, 2016; Zilberman-Schapira et al., 2012).
A desinibição (Dis) é descrita como uma forma extrema de procura de sensações, que é
comum entre criminosos e delinquentes (Dmitrieva et al., 2010; Mann, 2017; Mann et al., 2017;
Simons et al., 2012; Verma et al., 2017). Em geral, esse fator envolve comportamentos de procura
de sensação, como consumo de álcool ou outras drogas e participação em ações ilegais. A
suscetibilidade ao tédio (BS) é indicada como uma aversão a situações monótonas e repetitivas.
Sugere-se que as pessoas com altas pontuações na suscetibilidade ao tédio possam sofrer
agitação quando expostas a situações monótonas. No total, essas quatro subescalas representam
diferentes modos de procura de sensações, que contribuem para a composição da estrutura de
personalidade de um indivíduo (Crysel, Crosier, & Webster, 2013; Mann, 2017; Mann et al., 2017;
Sousa, 2012; Verma et al., 2017).
A procura por sensações e experiências variadas, bem como o desejo de encarar riscos,
como desportos radicais, abuso de substâncias, sexo inseguro e crime entre outros, são produto
do processo evolutivo (Zukerman, 2014).
A teoria dos componentes psicobiológicos de Zuckerman (2014),
na qual um conjunto
de processos psicobiológicos na procura de sensações. De acordo com este modelo de ativação,
os comportamentos de procura de sensações possuem alguns componentes cognitivos. No
entanto, esses processos cognitivos raramente demonstram regulamentos aprofundados sobre
os componentes auditivos e visuais dos estímulos. O modelo de ativação examina o desejo de
estimulação de um indivíduo e a probabilidade de que mensagens especícas atraiam atenção e
incentivem o envolvimento em certos comportamentos na procura de sensações.
A literatura mostra que os indivíduos com altos níveis do traço de procura de sensações são
mais propensos a participar das ações de procura por fortes emoções, como a prática de bungee
jumping, escalada e até mesmo o desfrutar de lmes de terror (Norbury & Husain, 2015). Muitas
condutas patológicas, como o comportamento de condução de risco e excesso de velocidade,
podem ser determinadas considerando o papel da procura de sensações no comportamento de
adolescentes (Lauriola et al., 2014; Mann, 2017).
Sharma, Markon e Clark (2014) realizaram uma análise teórica do papel da procura de
sensações em comportamentos de risco. Isto é baseado na razão de que a necessidade exagerada
de estimulação se deve a um décit de excitação siológica. Esta teoria sugere que os delinquentes
e os criminosos têm um traço de procura de sensações externas ou comportamentos dominantes
que substitui componentes de procura de sensações siológicas internas e psíquicas (Dmitrieva
et al., 2010; Mann, 2017; Sharma et al., 2014; Simons et al., 2012). Também é sugerido que eles
possam ter sido criados em um ambiente que não era suciente para atender suas necessidades
de sensação de maneira socialmente aprovada (Dmitrieva et al., 2010; Mann, 2017; Mann et al.,
2017; Sharma et al., 2014).
Alguns pesquisadores, como Khodarahimi (2015) e Lauriola et al. (2014) apresentam
estudos que sugerem orientações equivalentes para a escolha de risco entre adolescentes e
adultos que são apenas modestamente úteis para entender como os adolescentes se comparam
com os adultos na tomada de decisões do mundo real. Esses autores sugerem que os estudos
laboratoriais típicos de decisões de risco não levam em consideração os contextos emocional e
social em que ocorre a situação de risco. Em tais estudos, os adolescentes são individualmente
apresentados com dilemas hipotéticos em condições de pouca excitação emocional e são
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então convidados a tomar e explicar suas decisões. No mundo real, no entanto, as decisões não
são hipotéticas, elas geralmente são feitas sob condições de excitação emocional (sendo ela
negativa ou positiva) e, geralmente, são feitas em dupla ou grupos. Se a tomada de decisão de
risco dos adolescentes é realmente comparável à dos adultos em condições reais, continua a ser
uma questão aberta e não estudada. Todavia, observámos que uma série de estudos realizados
exclusivamente em laboratório apresentaram explicações insucientes para esclarecer
completamente as diferenças entre adolescentes e adultos no mundo real, em relação à tomada
de risco, baseada nas restrições de um laboratório. Alguns argumentaram que as diferenças de
idade nas capacidades psicossociais, como o controle de impulsos ou a procura de sensações,
desempenham um papel importante (Knab, Bowen, Hamilton, & Lightfoot, 2012). Consistente
com isso, De Leo e Wulfert (2013) e Defoe et al. (2015) relataram em suas pesquisas que uma
vez que as diferenças na maturidade entre adolescentes e adultos sejam contabilizadas, as
diferenças de idade na tomada de decisões de risco desaparecem.
Campbell et al. (2010) realizaram uma investigação empírica com 98 homens jovens
pertencentes à faixa etária entre os 18 e 23 anos, aplicando-lhes o teste psicométrico Escala
de Procura de Sensações de Zuckerman (Zuckerman, 2007; Zuckerman, Kolin, Price, & Zoob,
1964; Zuckerman & Link, 1968) e receptor de dopamina e gene D4 para comparar a relação
entre a exposição aos esteroides anabolizantes androgênicos derivados da testosterona, a
variação na proporção de testosterona, a recompensa dopaminérgica e a procura de sensações.
Os resultados indicaram que a variação do gene D4 está associada de forma independente à
procura de sensações. Desta forma, estes pesquisadores também vericaram que a manifestação
deste fenômeno não está restrita apenas a indivíduos que se encontram na fase da adolescência,
pois os jovens que participaram de sua investigação encontravam-se no nal da adolescência e
no início da fase adulta (Campbell et al., 2010).
Tal conclusão é plausível, pois, o caminho da recompensa dopaminérgica inuencia
a excitação siológica, o prazer e a recompensa intrínseca proporcionada pela liberação de
dopamina, neurotransmissor responsável pelo prazer e satisfação e, juntamente com a ação do
o gene D4 no sistema de recompensa cerebral, levam um indivíduo a desenvolver motivação
intrínseca de procura por sensações que subjazem o comportamento de risco (Atkinson et al.,
2002; Campbell et al., 2010; Garcia et al., 2010; Levin et al., 2012; Reyna et al., 2015; Sales et
al., 2015; Zukerman, 2014). Estes estímulos motivacionais também podem ser ativados por
substâncias psicoativas que modicam o comportamento humano, como veremos mais adiante
na discussão de um estudo clínico, onde os pesquisadores manipularam o comportamento com
a administração de um psicofármaco dopaminérgico (Norbury et al., 2013).
Em diferentes faixas etárias, o gene D4 combinado com a ação da dopamina exerce
diferentes formas de inuência sobre o desenvolvimento da motivação de procura de sensações
e comportamentos de risco, visto que os adolescentes possuem uma imaturidade cognitiva no
córtex pré-frontal, que é o sistema neuronal de controle de impulsos. Ou seja, os adolescentes
têm um controle cognitivo menor que afeta diretamente a capacidade de tomada de decisões
associadas ao risco. O desenvolvimento e maturidade do sistema de controle cortical pré-frontal
é necessário para que o indivíduo possa ignorar escolhas e ações inapropriadas em favor de
escolhas direcionadas por metas construtivas. Porém, o desenvolvimento deste sistema ocorre
de forma prolongada ao longo da adolescência e adquire maturidade quando o indivíduo
entra na fase adulta (Casey et al., 2008).
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Assim, a tomada de decisões de risco é percebida com maior prevalência durante a
adolescência em comparação à infância e à idade adulta e está associada a núcleos subcorticais
que se integram aos núcleos de base do cérebro. Estes são conhecidos por estarem envolvidos
na avaliação de incentivos e informações afetivas, resultando de um aumento na ativação
subcortical, são eles: o núcleo accumbens e a amígdala que na fase da adolescência têm uma
ativação bastante intensa em comparação a crianças e adultos ao fazer escolhas arriscadas e
processar informações emocionais (Casey et al., 2008). Mas, Campbell et al. (2010) identicaram
nos resultados de sua investigação que a motivação de procura por sensações presente nos
comportamentos de risco não se restringe aos indivíduos no período da adolescência, visto que o
gene D4 está associado de forma independente à procura por sensações, logo, os pesquisadores
compreenderam que este fenômeno pode-se estender para a fase adulta.
Os estudos de Arria e Dupont (2010) mostram que usuários de estimulantes ilícitos
obtiveram maiores resultados na procura de sensações do que aqueles que não relataram nenhum
uso prévio de estimulantes. Além disso, tanto os comportamentos de procura de sensações como
de risco são inuenciados pelo
gênero e, muitas vezes, os homens têm pontuações mais altas
nessas investigações do que as mulheres (Arria & Dupont, 2010; Campbell et al., 2010; Cross,
Cyrenne, & Brown, 2013; Guszkowska & Bołdak, 2010; Sales et al., 2013). Estas pesquisas também
indicam que estudantes com características de explorar fortes sensações são mais propensos a usar
substâncias como analgésicos (sem receita médica) e a ter uma autopercepção signicativamente
reduzida de comportamentos nocivos ao seu bem-estar (Arria & Dupont, 2010).
No entanto, as teorias que foram aplicadas para explorar o papel do gênero nos
comportamentos de risco e na procura de sensações na tomada de riscos nos adolescentes incluem
a teoria da ação fundamentada ou o comportamento de tomada de decisão (Defoe et al., 2015)
e a teoria do comportamento problemático (De Leo & Wulfert, 2013). A partir da perspectiva da
teoria do comportamento de tomada de decisão, escolher uma ação arriscada ou não arriscada
é racional se a escolha reetir os valores e crenças apropriadas do indivíduo decisor. Da mesma
forma, a teoria do comportamento problemático enfatiza os aspectos socioambientais e pessoais
da tomada de risco e a considera como um traço de personalidade inadaptada (Crysel et al.,
2013; De Leo & Wulfert, 2013; Defoe et al., 2015; Mann, 2017; Mann et al., 2017).
Essas teorias ajudam a explicar o papel do gênero como fator social na procura de sensações
e em comportamentos de risco entre jovens adultos (Campbell et al., 2010; Khodarahimi, 2015;
Thomson et al., 2013). A procura de riscos compatíveis varia consideravelmente, dependendo do
tipo de risco (Filbey, Claus, Morgan, Forester, & Hutchison, 2012; Khodarahimi, 2015). Do ponto
de vista etiológico, estes estudos sugerem que uma ligação signicativa entre a procura por
fortes sensações e comportamentos de risco (Khodarahimi, 2015; Mann, 2017; Mann et al., 2017).
Os indivíduos com um espectro de alta sensibilidade de sensações são mais propensos
do que seus pares a procurarem explorar sensações fortes e se envolverem em comportamentos
perigosos relacionados à saúde, como uso de drogas ilegais, uso intenso de álcool e sexo
desprotegido com múltiplos parceiros (Filbey et al., 2012; Harden, 2014; Holmes et al., 2016;
Mann, 2017; Stange et al., 2013; Victor, Sansosti, Bowman, & Hariri, 2015).
Por isso, estes pesquisadores pontuam que a realização de estudos sobre a procura de
sensações tem sido ampliada para prevenir a incidência de uma ampla gama de comportamentos
de risco, incluindo jogo patológico (Fagundo et al., 2014; Lim et al., 2012; Stange et al., 2013),
abuso de substâncias, atividades sicamente perigosas e comportamentos sexuais de risco (Dir
et al., 2014; Sales et al., 2013; Sales et al., 2015; Stange et al., 2013; Victor et al., 2015).
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No campo da procura de sensações e dos comportamentos de risco, algumas teorias do
desenvolvimento humano prestam atenção ao desenvolvimento individual e aos recursos em seu
meio que apoiam ou promovem um crescimento saudável (Tau & Peterson, 2010; Telzer, 2016).
De acordo com a teoria da tomada de decisão, Defoe et al. (2015) propõem que
comportamentos de risco podem ser divididos em dois subtipos. O primeiro subtipo, ou risco
fundamentado, é descrito como o resultado da negociação intencional de riscos e benefícios,
com os benefícios recebendo uma classicação maior do que os riscos na tomada de decisões.
Os pesquisadores apontam como segundo subtipo de comportamentos de risco a ocorrência de
menor grau de risco quando as tarefas apresentam apenas uma opção de escolha correta.
Como visto, existem muitos fatores que podem inuenciar a motivação dos
comportamentos de risco e procura de sensações. Várias investigações sobre as fontes desses
comportamentos de risco em adultos jovens consideraram aprocura de sensações” como traços
de personalidade negativos (Crysel et al., 2013; Sousa, 2012). Estes são traços associados à ação
do neurotransmissor dopamina e gene D4, como fator preditor da motivação de procura de
sensações, que subjazem os comportamentos de risco em adolescentes e adultos (
Campbell et
al., 2010; Dmitrieva et al., 2010). Na próxima secção daremos mais ênfase à ação dos genes na
discussão deste fenômeno.
Dados da Ação Dopaminérgica Associada aos Genes
Norbury et al. (2013) discutem o traço de percepção de sensações, denido como a
necessidade de sensações variadas, complexas e intensas, as quais representam um impulso
hedônico relativamente pouco explorado na pesquisa de psicobiologia humana. Este traço de
percepção de sensações está relacionado ao aumento do risco de uma série de comportamentos,
incluindo uso de substâncias, jogos de azar e práticas sexuais de risco. As diferenças individuais
autorrelatadas na procura de sensações têm sido associadas à função dopaminérgica do cérebro,
em particular nos receptores D2. Ainda, no estudo de Norbury et al., a Cabergolina
2
inuenciou
signicativamente a forma como os participantes combinaram diferentes sinais explícitos de
probabilidade e perda ao escolher entre opções de resposta associadas a resultados incertos.
Sendo que esses efeitos foram fortemente dependentes do resultado basal, isso é, o início
causador do impulso intrínseco que motiva a procura por sensações e comportamentos de risco.
No geral, a Cabergolina aumentou a sensibilidade de escolha à informação sobre a
probabilidade de ganhar ao diminuir o discernimento de acordo com a magnitude das perdas
potenciais associadas a diferentes opções de escolhas, visto que os participantes da pesquisa
não tinham nem uma certeza de quais seriam as consequências de cada escolha que eles foram
estimulados a fazer. Os maiores efeitos da droga foram observados em participantes com menores
escores de procura de sensações, os pesquisadores apresentam evidências psicoquímicas de que
o fenômeno da busca por sensação é denido como uma necessidade de sensações variadas,
complexas e intensas, está relacionado ao aumento da motivação de uma série de comportamentos
2
Psicofármaco agonista dopaminérgico derivado do ergot, fungo contaminante comum do centeio e outros cereais ou pelo uso
excessivo ou mal orientado de drogas derivadas da ergolina. É comercializada em Portugal com o nome de Dostinex, é usada no
tratamento dos tumores da hipóse produtores de prolactina e na doença de Parkinson. Pode ser usada em estudos em que se
pretenda estimular os receptores D2 da dopamina.
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de risco, incluindo o uso de substâncias, jogos de azar e práticas sexuais de risco. Diferenças
individuais na busca de sensação autorreferida estão associadas à função dopaminérgica do
cérebro, particularmente dos neuroreceptores D2. Estes pesquisadores observaram em seu
ensaio clínico através de um jogo experimental que a Cabergolina inuenciou signicativamente
a forma como os participantes combinaram diferentes sinais explícitos sobre probabilidade
e perda ao escolher entre opções de resposta associadas a resultados incertos. Os efeitos
encontrados foram fortemente dependentes do escore de busca de sensação inicial. No geral, a
Cabergolina aumentou a sensibilidade da escolha quanto à informação sobre a probabilidade de
vencer; enquanto diminuiu a discriminação de acordo com a magnitude das perdas potenciais
associadas a diferentes opções de escolhas, os participantes com menores escores de busca de
sensação (-.25); (-.30) foram os mais inuenciados em seu comportamento pela Cabergolina,
pois os indivíduos que relataram níveis mais baixos de traço busca de sensações (SSSensation-
Seeking) mostraram uma forte inuência da Cabergolina na sua escolha comportamental de
tomada de decisão ariscada (Norbury et al., 2013).
Os achados de Norbury e colaboradores (2013) forneceram evidências de que o
comportamento de risco em seres humanos pode ser manipulado diretamente por um
medicamento dopaminérgico, mas que a ecácia de tal manipulação depende das diferenças
basais (diferenças dos impulsos intrínsecos de motivação), na característica (diferença iniciais)
de procura de sensações. Isso enfatiza a importância de considerar as diferenças individuais
ao investigar a manipulação de decisões de risco e pode ter relevância para o desenvolvimento
de psicofármacoterapia para distúrbios envolvendo o comportamento de risco excessivo em
humanos.
Apesar da sua clara relevância clínica, a manipulação psicofarmacológica na decisão
do comportamento de risco atualmente é relativamente mal analisada em humanos e animais.
Os estudos mostram, pela primeira vez, a evidência de conhecimento, as diferenças de base
na característica da procura de sensações que afeta a maneira pela qual uma manipulação
psicofarmacológica modica o comportamento de risco (Knab et al., 2012).
Essas descobertas enfatizam a importância de considerar as diferenças individuais, como
a procura de sensações (SS), ao investigar a tomada de decisão de risco e podem ter relevância para
o desenvolvimento de psicofarmacoterapia para transtornos que envolvem a tomada excessiva
de riscos (Knab et al., 2012), como o jogo patológico (Fagundo et al., 2014; Lim et al., 2012).
Também é explicitado por Davis et al. (2014) que, nos seres humanos, a característica
de procura por sensações (SS) está associada à variação genética nos loci receptores D2
e D4. Estudos adicionais de procura de sensações sugerem que os genes que modulam a
neurotransmissão de dopamina intercedem em uma variedade de fenótipos comportamentais
associados à procura de sensação. Um candidato especíco é o gene do receptor de dopamina
D4, com um polimorsmo de repetição de número variável de 48 pb no número variável de
repetição em tandem (VNTR) no éxon III do cromossomo 11 (Davis et al., 2014; Garcia et al.,
2010; Zilberman-Schapira et al., 2012).
Esta região polimórca geralmente inclui duas a 11 repetições. Os indivíduos com pelo
menos um alelo contendo sete ou mais repetições (7R+) mostraram probabilidade de ligação
reduzida e densidade de receptores para neurotransmissão de dopamina na via de recompensa
mesolímbica ascendente, que se estende desde a área tegmental ventral até o núcleo accumbens,
córtex pré-frontal e outras regiões subcorticais (Garcia et al., 2010).
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De acordo com Garcia et al. (2010) e Muda et al. (2018), os indivíduos com esses longos
alelos estão predispostos aos comportamentos de procura de sensação, pois são menos sensíveis
à dopamina e, portanto, procuram mais estímulo para gerar maior atividade dopaminérgica e,
com isso, sentir prazer. Isto inclui os comportamentos de migração e a procura por novidades,
manifestação de comportamentos motivados ao risco, prática de desportos radicais, condução
automotiva de risco, uso de substâncias psicoativas e/ou psicodélicas, sexo sem proteção,
prática de jogo patológico, investimentos de risco (Garcia et al., 2010; Zilberman-Schapira et
al., 2012). O caminho da recompensa dopaminérgica inuencia a excitação siológica, o prazer
e a recompensa intrínseca. Os seres humanos que possuem pelo menos um alelo 7-repetições
ou mais (7R+) exibem fenótipos comportamentais associados ao transtorno de décit de
atenção e hiperatividade (TDAH), alcoolismo, risco nanceiro, desinibição, impulsividade e
comportamento sexual de risco (Creswell et al., 2012; Filbey et al., 2012; Garcia et al., 2010;
Muda et al., 2018; Victor et al., 2015; Zilberman-Schapira et al., 2012).
O comportamento sexual de risco, segundo Sales e colaboradores (2015), inclui
associações entre o genótipo D4 e o desejo sexual, excitação e função, bem como
a
probabilidade de iniciar a atividade sexual entre jovens adultos. O gene D4 e (7R+) também
foram relatados como não relacionados com o número de parceiros sexuais anteriores, no
entanto, a variante de procura de recompensas elevada do gene transportador de dopamina
DAT1 foi associada ao aumento do número de parceiros sexuais, embora apenas em homens.
também suporte para uma associação entre gene D4, (7R+) e vestígios de herança genética
dos ancestrais do Homo sapiens sapiens, aqui podemos inferir que o gene implicado na
motivação da exploração de fortes sensações e comportamentos de risco pode ser um gene
recessivo presente no DNA humano que pode ser ativado através da ação dopaminérgica no
receptor D4 e (7R+).
As frequências de genótipos D4 VNTR variam amplamente em todo o globo, reetindo
a utilidade adaptativa de ambas as motivações para a dispersão e, em alguns casos, fenômenos
comportamentais restritos culturalmente. Em conjunto, isso sugere que as relações entre
comportamento sexual, evolução humana e genes que modicam a dopamina são bastante
contrastantes (Sales et al., 2015). Dado o papel importante da dopamina no comportamento
sexual, a previsão de que a variação no D4 esteja associada ao comportamento sexual não
comprometido em homens e mulheres (Sales et al., 2013; Sales et al., 2015).
Knab et al. (2012) observaram que uma amostra de ratos de laboratório respondeu por
recompensas sensoriais incondicionadas. As cobaias mostraram-se sensíveis ao upentizol
antipsicótico (antagonista do receptor D1-D5) e às anfetaminas. No entanto, atualmente, não há
evidência causal em seres humanos para um papel da dopamina no comportamento modulador
como uma função da característica de procura por sensações (SS).
Seguindo essa linha, o D4 VNTR aparece como sendo um gene preditor estável do
desenvolvimento de comportamentos de procura de experiências (Garcia et al., 2010) e tem sido
associado longitudinalmente com o comportamento exploratório visual infantil e a motivação
de explorar novidades na adolescência.
No entanto, como em muitos outros traços e doenças, a não replicação de efeitos especícos
dos genes candidatos na procura de sensações e traços relacionados é uma ocorrência comum e
as evidências para o envolvimento de qualquer variante especíca geralmente são modestas na
melhor das hipóteses.
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Portanto, compreendemos que a motivação de procurar por fortes sensações, que leva um
indivíduo a desenvolver comportamentos de risco, tem forte inuência da função dopaminérgica
e da neurotransmissão da dopamina no sistema de recompensa cerebral, da ação do gene D4
preditor estável do desenvolvimento de comportamentos exploratório e da necessidade de
fortes sensações siológicas externas.
Conclusão
O desenvolvimento do presente estudo nos possibilitou compreender a ação da dopamina
associada ao gene D4 sobre a motivação de procura por sensações e comportamentos de risco.
Com isso, esta investigação bibliográca contribuiu com a análise de estudos sobre os fenômenos
psicobiológicos que subjazem a motivação do comportamento humano, sendo um tema atual
que faz parte do quotidiano de uma parte considerável da população. Além disso, permitiu-
nos contribuir com os estudos que discutem este problema do fenômeno da procura por fortes
sensações.
Entendemos que existem maiores hipóteses de os adolescentes praticarem condutas
de risco, pois estes possuem uma imaturidade no sistema neuronal de controle de impulsos.
Este é um fator bastante inuente na motivação do comportamento de risco, capacidade de
entendimento, raciocínio, percepção do risco e na tomada de decisão frente ao risco no mundo
real. Mas, no percurso deste estudo, percebeu-se que
a manifestação do fenômeno da procura
por sensações presentes no comportamento motivado ao risco não se restringe aos indivíduos no
período da adolescência, visto que o gene D4 está associado de forma independente à procura
por sensações, logo este fenômeno pode se estender à fase adulta.
Por m, a partir da análise dos artigos selecionados, acreditamos ter alcançado o objetivo
deste estudo, pois se compreendeu que a ação dopaminérgica no sistema de recompensa do
cérebro associada à função do gene D4, preditor estável do desenvolvimento de comportamentos
exploratórios e da necessidade de fortes sensações siológicas externas, está diretamente
implicado no desenvolvimento da motivação intrínseca de procura por fortes sensações que leva
um indivíduo a desenvolver comportamentos de risco. O caminho da recompensa dopaminérgica
inuencia a excitação siológica, o prazer e a recompensa intrínseca proporcionada pela
liberação de dopamina, neurotransmissor responsável pelo prazer e satisfação que, juntamente
com a ação do gene D4, levam um indivíduo a desenvolver motivação intrínseca de procura por
sensações que subjazem o comportamento de risco. Pois, o gene D4 receptor da dopamina é alvo
da intercessão de genes comportamentais que modulam a neurotransmissão da dopamina. Estes
genes são associados à procura por sensações, com um polimorsmo de repetição de número
variável de 48 pb (VNTR) no éxon III do cromossomo 11. Esta região polimórca geralmente
inclui duas a 11 repetições. Os indivíduos com pelo menos um alelo contendo sete ou mais
repetições (7R+) mostraram probabilidade de ligação reduzida e densidade de receptores
para neurotransmissão de dopamina na via de recompensa córtico mesolímbica ascendente,
que se estende desde a área tegmental ventral até ao núcleo accumbens, córtex p-frontal e
outras regiões corticais. Desta forma, os indivíduos com longos alelos 7R+ estão predispostos a
desenvolver motivação intrínseca ao risco que se manifesta como comportamentos de procura
por fortes sensações.
Com a análise dos estudos selecionados, entendemos que para responder de um modo
ainda mais satisfatório à questão desta pesquisa, o ideal seria partirmos da análise de estudos
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realizados com outras técnicas e métodos de investigação, por exemplo: estudos clínicos
realizados com seres humanos analisando neuroimagens em pessoas que se sentem movidas
por comportamentos de risco para explorar fortes sensações, como também estudos que
investiguem a manifestação deste mesmo fenômeno no mundo real, realizando, desta forma,
uma documentação das evidências. No entanto, tais realizações não nos foram possíveis por
causa de nossas limitações temporais, estruturais e nanceiras.
No percurso desta pesquisa, percebeu-se que esta motivação também é composta por
outras variáveis sistêmicas decorrentes do desenvolvimento psicossocial do indivíduo em
sociedade (Douglas, 1992). Por exemplo, a relação que este indivíduo experimentou com
seus pares, o grupo social primário, ou seja, com a família, e a relação deste com os grupos
sociais secundários. Foi observado, nas pesquisas analisadas, que os adolescentes são mais
propensos a se envolverem em comportamentos de risco em procura de experimentarem fortes
sensações do que os adultos, pelo fato dos jovens terem mais facilidade de serem inuenciados
por seus colegas e por grupos a que estes pertencem. Não foram encontradas pesquisas que
investigaram a inuência do papel social e da representação social, que estas pessoas têm
na microcultura onde estão inseridas, sobre os indivíduos em
sociedade. Isto reforça que
este fenômeno é multidimensional, visto que ele é composto pela soma de múltiplos fatores
(Douglas, 1992). Porém, não foram encontrados estudos que investigassem a manifestação
deste mesmo fenômeno no mundo real, como investigações que objetivem perceber a
inuência destas variáveis supracitadas no desenvolvimento dos fenômenos discutidos nesta
investigação. Não foram encontrados estudos que avaliassem grupos sociais que se envolvem
em exploração de fortes sensações e comportamentos de risco. Com a nalidade de preencher
estas lacunas, recomendamos a realização de futuras pesquisas que abordem as inuências
psicossociais (extrínsecas) da motivação dos comportamentos de risco e procura por sensações.
Sugerimos a realização de novas pesquisas que investiguem grupos sociais que se envolvem em
exploração de fortes sensações e comportamentos de risco, para com isso, perceber como se
a manifestação deste fenômeno em seus grupos sociais, e como os grupos inuenciam os
indivíduos a manifestarem este fenômeno.
Sugerimos também que os estudos realizados exclusivamente em laboratórios assim
como as pesquisas que apresentaram resultados negativos sejam devidamente adaptados ao
paradigma bioético para que os mesmos possam ser repetidos no mundo real. Deste modo, é
possível traçar uma relação entre os resultados dos estudos realizados com métodos e ambientes
distintos. Incentivamos a realização de investigações futuras no âmbito da genética humana.
É importante investigar se o gene implicado na motivação da exploração de fortes sensações
e comportamentos de risco pode ser um gene recessivo. Este pode ser um vestígio da herança
genética dos ancestrais do Homo sapiens sapiens presente no DNA humano, que pode ser ativado
através da ação dopaminérgica no receptor D4 e alelos de sete ou mais repetições (7R+). Esta
acção dopaminérgica poderá ser uma inuência psicoquímica sobre os neurotransmissores
nas pessoas, manifestando-se na motivação do comportamento de risco e exploração de fortes
sensações. Propomos ainda que se realizem pesquisas futuras no âmbito interdisciplinar, para
assim, se obter uma percepção cientíca ampliada sobre este fenômeno complexo. Não foram
encontradas pesquisas empíricas ou teóricas que investigassem a motivação humana para
explorar outros planetas. Assim, incentivamos a realização de novos estudos com a nalidade
de preencher esta lacuna.
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Portanto, conclui-se que é importante a realização de novos estudos com a utilização
de outros procedimentos metodológicos que explorem de uma forma mais profunda e
documentem em língua portuguesa as evidências cientícas que esclarecem todas as variáveis
multidimensionais que compõem o fenômeno da motivação de explorar fortes sensações e
comportamentos de risco, para que haja um maior esclarecimento desta questão.
Tabela 1
Motivação dos Comportamentos de Risco e Procura de Sensações
Autor (es/as) Ano Método Título do trabalho
Arria & Dupont 2010 Pesquisa documental,
análise de conteúdo
Nonmedical prescription stimulant use among college
students: Why we need to do something and what we
need to do
Campbell et al. 2010 Aplicação de teste
psicométrico,
método comparativo
Testosterone exposure, dopaminergic reward,
and sensation-seeking in young men
Centers for Disease Control
and Prevention
2010 Método Survey Health-risk behaviors and academic achievement
Creswell et al. 2012 Pesquisa empírica D4 polymorphism moderates the eect of alcohol
consumption on social bonding
Dalley & Roiser 2012 Estudo teórico-clínico Dopamine, serotonin and impulsivity
Cross et al. 2013 Meta-análise Sex dierences in sensation-seeking: A meta-analysis
Crysel et al. 2013 Método comparativo The Dark Triad and risk behavior
Davis et al. 2014 Método comparativo Emotional reactivity and emotion regulation among adults
with a history of self-harm: Laboratory self-report and
functional MRI evidence
De Leo & Wulfert 2013 Análise de conteúdo Problematic Internet use and other risky behaviors in college
students: An application of problem-behavior theory
Defoe et al. 2015 Revisão bibliográca A meta-analysis on age dierences in risky decision making:
Adolescents versus children and adults
Dir et al. 2014 Meta-análise A meta-analytic review of the relationship between
adolescent risky sexual behavior and impulsivity across
gender, age, and race
Dmitrieva et al. 2010 Método clínico,
método comparativo
Gender-specic expression of the D4 gene on adolescent
delinquency, anger and thrill seeking
Fagundo et al. 2014 Ensaio clínico Dopamine DRD2/ANKK1 Taq1A and DAT1 VNTR
polymorphisms are associated with a cognitive exibility
prole in pathological gamblers
Filbey et al. 2012 Ensaio clínico, análise
de neuroimagens
Dopaminergic genes modulate response inhibition in alcohol
abusing adults
Fox & Tannenbaum 2011 Pesquisa empírica The elusive search for stable risk preferences
Garcia et al. 2010 Entrevistas,
estudo clínico
Associations between dopamine D4 receptor gene variation
with both indelity and sexual promiscuity
Guszkowska & Bołdak 2010 Aplicação de teste
psicométrico
Sensation seeking in males involved in recreational high risk
sports
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
Motivação dos Comportamentos de Risco e Procura de Sensações
Autor (es/as) Ano Método Título do trabalho
Harden 2014 Revisão de literatura Genetic inuences on adolescent sexual behavior: Why
genes matter for environmentally oriented researchers
Holmes et al. 2016 Pesquisa empírica Individual dierences in cognitive control circuit anatomy
link sensation seeking, impulsivity, and substance use
Johnson et al. 2014 Pesquisa documental CDC National Health Report: Leading causes of morbidity
and mortality and associated behavioral risk and protective
factors—United States, 2005–2013
Khodarahimi 2015 Aplicação de teste
psicométrico,
método comparativo
Sensation-seeking and risk-taking behaviors: A study on
young Iranian adults
Klinar et al. 2017 Aplicação de teste
psicométrico
Personality and sensation seeking in high-risk sports
Knab et al. 2012 Método experimental Pharmacological manipulation of the dopaminergic system
aects wheel-running activity in dierentially active mice
Lauriola et al. 2014 Estado da arte Individual dierences in risky decision making:
A meta-analysis of sensation seeking and impulsivity
with the balloon analogue risk task
Levin et al. 2012 Pesquisa empírica A neuropsychological approach to understanding risk-taking
for potential gains and losses
Lim et al. 2012 Análise clínica,
método de redução
da dimensionalidade
multifatorial (MDR)
Association study on
pathological gambling and polymorphisms of dopamine D1,
D2, D3, and D4 receptor genes in a Korean population
Mann 2017 Aplicação de teste
psicométrico,
método Survey
Genetic and environmental pathways from personality risk
to antisocial behavior
Mann et al.
2017
Estudo transversal Personality risk for antisocial behavior: Testing the
intersections between callous–unemotional traits,
sensation seeking, and impulse control in adolescence
Muda et al. 2018 Pesquisa empírica The dopamine receptor D4 gene (DRD4) and nancial risk-
taking: Stimulating and instrumental risk-taking propensity
and motivation to engage in investment activity
Norbury & Husain 2015 Aplicação de teste
psicométrico, método
comparativo
Sensation-seeking: Dopaminergic modulation and risk for
psychopathology
Norbury et al. 2013 Ensaio clínico
randomizado
Dopamine modulates risk-taking as a function of baseline
sensation-seeking trait.
Pawelec 2013 Aplicação de teste
psicométrico,
método Survey
Risk taking propensity among people involved in various
forms of winter recreation on the example of skiing
Reyna et al. 2015 Método descritivo Development of risky decision making: Fuzzy-trace theory
and neurobiological perspectives
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
Motivação dos Comportamentos de Risco e Procura de Sensações
Autor (es/as) Ano Método Título do trabalho
Sales et al. 2013 Análise clínica Factors associated with sexual arousal, sexual sensation
seeking and sexual satisfaction among female African
American adolescents
Sales et al. 2015 Método comparativo Associations between a dopamine D4 receptor gene,
alcohol use, and sexual behaviors among female adolescent
African Americans
Sharma et al. 2014 Meta-análise Toward a theory of distinct types of “impulsive” behaviors:
A meta-analysis of self-report and behavioral measures
Simons et al. 2012 Pesquisa transversal Social adversity, genetic variation, street code, and
aggression: A genetically informed model of violent behavior
Smith et al. 2013 Revisão de literatura Impact of socio-emotional context, brain development,
and pubertal maturation on adolescent risk-taking
Somerville & Casey 2010 Revisão de literatura Developmental neurobiology of cognitive control and
motivational systems
Stange et al. 2013 Estudo de caso,
método comparativo
Behavioral approach system (BAS)-relevant cognitive styles
in individuals with high versus moderate bas sensitivity:
A behavioral high-risk design
Stops & Gröpel 2016 Método Survey Motivation zum Risikosport
Sturman & Moghaddam 2011 Revisão de literatura The neurobiology of adolescence: Changes in brain
architecture, functional dynamics, and behavioral tendencies
Tau & Peterson 2010 Revisão de literatura Normal development of brain circuits
Telzer 2016 Revisão de literatura Dopaminergic reward sensitivity can promote adolescent
health: A new perspective on the mechanism of ventral
striatum activation
Thomson et al. 2013 Aplicação de teste
psicométrico
The−521 C/T variant in the dopamine-4-receptor gene
(DRD4) is associated with skiing and snowboarding behavior
Verma et al. 2017 Aplicação de teste
psicométrico
Sensation seeking behavior and crash involvement of Indian
bus drivers
Victor et al. 2015 Pesquisa empírica Dierential patterns of amygdala and ventral striatum
activation predict gender-specic changes in sexual risk
behavior
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in dopamine neurotransmission in adolescence: Behavioral
implications and issues in assessment
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Zuckerman 2014 Revisão de literatura,
estudos de casos
Sensation seeking (psychology revivals): Beyond the optimal
level of arousal
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